22/01/2016

Fazer planos é fazer Deus rir - O relato do meu parto




 Depois de mais de um ano aprendi que...

... fazer planos é fazer Deus rir.



É assim que começa meu relato, essa é a frase da minha vida. Terminei 2014 com ela e ela me acompanhará pra sempre. Consigo imaginar Deus, uma luz… nunca consegui dar um rosto a Deus, mas consigo visualizar Ele todo grandão em seu trono, nas nuvens, com uma luz forte em volta, olhando aqui pra baixo e… morrendo de rir. Sério, todas as vezes que faço planos, crio sonhos, digo vou fazer, vou ser, vou acontecer… consigo escutar suas gargalhadas e sentir seus olhos cheios de amor dizendo: Ah minha filha, se soubesse o que tenho preparado pra você...



Era 7 de janeiro, Rio de Janeiro, verão, 42º graus, 35 semanas de gravidez. Acabou as festas de final de ano, a cidade voltava devagar a rotina, e lá estava eu, uma grávida se arrastando para o trabalho, inchada, mal conseguia andar… uma pata desengonçada pelas ruas do centro. A última consulta de pré-natal estava marcada praquele dia. Tudo estava normal, eu achava que estava. Não sentia nada além de muito inchaço e muito calor, eu pensava que a qualquer momento minhas pernas poderiam explodir. Então, lá fui eu pro médico pra pedir alguns dias em casa pra deixar as perninhas pro alto porque nenhuma grávida é de ferro né.

Antes de continuar, deixa eu contar aqui o plano inicial. Desde os 3 meses de gravidez havíamos decidido pelo parto domiciliar (PD). Isso mesmo que ouviram, parto em casa. Não, eu não sou nenhuma índia louca, surtada que resolveu parir em casa. Eu tinha acompanhamento, eu procurei uma equipe, pessoas capacitadas prontas para isso. Eu acreditava e ainda acredito que meu bebê vir ao mundo diretamente pros meus braços, com o aconchego do nosso lar, nosso calor, seria a melhor opção do que uma sala fria de um centro cirúrgico. Acreditava e ainda acredito. O plano A era, ficar com o obstetra cesarista pelo plano de saúde para acompanhar a gravidez e fazer os exames, e ser acompanhada também pela equipe obstétrica do parto domiciliar, se algo desse errado, acionava a maravilhosa e talentosa obstetra Ana Fialho, a médica backup do meu PD. Fui a algumas consultas com ela e ela estava ciente disso. Ou seja, estava tudo bem organizado, planejado, com todas as ações bem definidas e acompanhada. Agora era só esperar pelo dia que a bolsa romperia. Me imaginava na minha mesa de trabalho, a água escorrendo e eu falando: Pessoal, arranjem um carro pra me levar pra casa pois ou eu fiz xixi nas calças ou minha bolsa estourou. Cheguei a fazer bolão no trabalho pro dia que seria, obviamente, ninguém ganhou.



Vamos voltar pro dia 07 de janeiro. Lá fui eu pro médico cesarista pedir meu simples atestadinho. Assim que cheguei fui recebida com a notícia de que meu plano o havia descredenciado desde 1 de janeiro e portanto ele não faria mais meu parto, ah não ser que eu pagasse. Ooooiiii??? Tudo bem, eu realmente não faria com ele, mas e se eu fosse, ele deixaria uma grávida na mão com 35 semanas? Sim, ele iria. Pra deixar claro, ele foi um excelente médico toda a gestação, me tratou muito bem, foi muito sincero desde o início e foi um excelente profissional, do jeito dele. Por respeito a isso, não citarei nome. Quando ele mediu minha pressão: 14x11 e a última ultrassonografia que eu havia feito dizia que minha placenta já estava com grau de maturidade 3 antes das 32 semanas. 50% das placentas chega a esse grau nessa fase, outras nem chegam. Mas já havia conversado com minha equipe e obstetra e isso não era um problema, o problema estava na pressão.

Quando viu isso, o amigo cesarista olhou pra mim e disse: você e seu bebê estão correndo risco de vida, precisamos tirar ela daí. Oooooiiii????

Dei meu sorriso amarelo e disse: Mas doutor, e o plano de saúde? Como vou pagar isso? Tenho que pensar.

E ele: Você paga e depois eles te reembolsam, como eles me descredenciaram eu não sou obrigado a aceitá-lo. Mas você não trabalha no lugar X? Eles tem hospital. Se você não me ligar até as 17h vou entender que você foi pra lá e conseguiu dar um jeito.



Na hora eu pensei: FDP!!! Conseguiu uma desculpa pra me empurrar uma cesária, mas não vou cair nessa não, sou empoderada rapá. Tentei acalmar meu marido, de que tudo estava bem e que era só mais um médico empurrando uma cesárea. Mas aí a merda já estava feita, ele ficou preocupado, e depois descobrimos que o tal médico tinha razão.




Que pressão é essa hein?



No mesmo dia eu teria consulta com a enfermeira obstétrica. Liguei pra ela e expliquei a situação. Ela disse que eu precisava confirmar se a pressão estava alta mesmo. Como eu estava em Copacabana perto do consultório da Ana, liguei pra ela e perguntei se podia ir pra lá. Ela não estava mas disse que tinha outro médico lá e a enfermeira poderia medir. E lá fomos nós. Eu bem tranquila de que não era nada daquilo. Eu estava bem, gravidez excelente, não senti nenhum enjoo, nunca passei mal, nunca sangrei, pressão 11x8 a gravidez toda, inclusive há 10 dias havia sido medida e deu 12x8, normal. Aquilo não estava acontecendo. Era só o calor. Mediu de novo: 14x11 , 1 hora depois 14x11. “Merda de calor que não passava” Eu pensava. Melhor ser consultada pelo médico. Aguardamos mais um pouco, ele olhou os exames, olhou pra mim, mediu mais uma vez. A pressão ainda alta e foi quando ele disse:

- Brena, temos duas linhas de ação. Ou você pode ir pra casa, acompanhar essa pressão, fazer alguns exames e monitorarmos o tempo todo. Ou você pode ir pro hospital, ser internada e acompanharemos tudo por lá. Sugiro a segunda opção por ser a mais segura.

- Mas e meu parto domiciliar?

- Acabou, não dá mais e nem posso te garantir que você vai conseguir algum dia.

Sabe, a lágrima ainda desce escrevendo isso. Aquilo tudo que sonhei, que li, reli, vivi, agarrei. Não dá mais, não pra mim. Fim de jogo, game over. Dei minha mesa de jantar de 6 lugares, linda, tão amada pra caber uma piscina na minha sala. Chega a ser tão ridículo, agora aqui estou eu, com uma mini mesa e sem piscina. Aff!!!

Marido optou pela internação. Fomos pra casa. Silenciosa, chorosa. Fui pro quarto dela, olhei em volta. Não tinha mala pronta, porque não teria o que arrumar, ela nasceria ali, em casa, com tudo disponível esperando por ela. Não tinha lembrancinhas e nem saída de maternidade porque não haveria maternidades pra ir. Enquanto meu marido guardava o carro eu chorei, gritei, chorei pelo que sonhei não se concretizar, chorei pelos relatos de parto que li, chorei porque todos sempre disseram que o parto é natural, é uma máquina, é fisiológico. Chorei de inveja das mulheres que não tem nenhum problema e optam por cesáreas, e daquelas que conseguem seu lindo parto na água, na piscina, em qualquer lugar, mas conseguem ter o que elas querem. Chorei de raiva, de inveja, de vergonha e de culpa porque eu não consegui e não sabia onde tinha errado.

Depois respirei fundo… eu só estava indo pro hospital monitorar a pressão e ver se tudo estava bem. Meu bebê não ia nascer, dava tempo. Me recusava a aceitar que aquilo estava acontecendo. Não arrumei mala, ela iria esperar, não iria nascer, ela viria quando ela quisesse. Separei roupa para apenas dois dias, e fui. Ainda não tinha acabado, era só o plano B. Respirei fundo, separei feltros, tesoura, linhas e agulhas… se a maternidade tinha entrado em ação, eu precisava de lembrancinhas pra entregar pras visitas.




Plano B ativar




Foi um dia bem triste, porque a Ana já estava na Maternidade cuidando de um caso de pressão alta bem mais sério que o meu. Ela estava cansada e me passou tranquilidade. A primeira linha de ação seria fazer os exames. Ultrassonografia, cardio, e exame de urina pra ver se tinha proteína. Na ultra e na cardio estava tudo bem, Sarinha estava bem. Mas a pressão ainda alta, oscilava entre 14x11 e 16x10. A Ana me explicou o seguinte: Que se fosse apenas uma hipertensão gestacional, dava pra monitorar e aguardar até 37 semanas, se fosse uma pré-eclâmpsia leve poderíamos aguardar até completar as 36, em caso de pré-eclâmpsia grave, os riscos não compensam, e é indicado o parto a partir de 34 semanas. Eu estava com 35 semanas e no exame simples de urina já foi identificado proteína, o que significava? Que eu tinha dado muita sorte (só que não), pré-eclâmpsia grave. Não teria jeito, Sarinha não esperaria muito tempo.

Passeio o dia 08, no quarto fazendo exames e controlando a pressão, quando finalmente dei a notícia pros meus pais e eles passaram a tarde comigo. Tentei acalmá-los de que tudo estava bem. O interessante é que quando minha mãe foi almoçar com meu pai ela contou pra ele que Deus havia falado com ela que Sara nasceria sábado, depois das 18h. Minha mãe é sinistra e Deus não erra. Percebi que o artesanato não iria rolar na maternidade, e me achei mega estúpida por ter pensado nessa possibilidade. Acionei irmã e prima e deixei com elas a operação lembrancinhas, eu já era mãe e mãe pensa em tudo.

Na manhã do dia 09, saiu o resultado do exame pra confirmar o que já esperávamos. Pré-eclâmpsia grave. Pressão ainda entre 14 e 16x10 e 11 a Ana, mais uma vez como uma anjo na minha vida, conversou abertamente comigo. Não valia a pena os riscos, Sara chegaria antes do tempo. Eu perguntei, se seria cesárea e ela disse que não precisava ser. O que as pessoas não sabem é que a cesárea também tem seus riscos e com a minha pressão daquele jeito eu poderia convulsionar, ter uma hemorragia, sequelas. Anestesia, 7 camadas do corpo sendo abertas, expostas. Cesária é uma cirurgia e qualquer cirurgia com pressão alta as chances de algo dar errado, seriam maiores. A cirurgia é em último caso e se existia uma alternativa menos agressiva no meu caso, eu tentaria. Ana me explicou o processo de indução e resolvi tentar. Fomos para a UTI sulfatar para prevenir uma possível convulsão e controlar a pressão. Enquanto isso, ela aplicou o comprimido de misoprostol para relaxa o músculo, afinar o colo e facilitar a dilatação e foi dado início a indução do meu parto, a ficha não tinha caído mas eu iria parir.


Tempo tempo tempo, compositor de destinos




O tempo não passava, se arrastava. Nada acontecia, eu não sentia nada. Meu marido foi maravilhoso, ficou o tempo inteiro do meu lado, sorria pra mim, segurava a minha mão. Ninguém sabia que eu estava na UTI. Unidade de Terapia Intensiva é um nome muito forte e assustador, eu estava bem, tudo estava bem na medida do possível, sendo controlado.

A Ana Fialho ficou no hospital o tempo inteiro, esperando. Me esperando. Cansada, mas ali. Deus foi maravilhoso comigo colocando ela do meu lado. E quando não estava por perto, estava por whatsapp. Respondia todas as dúvidas. Em alguns momentos eu duvidei, senti medo. Minha pressão estava sendo controlada, pensei na cesária sim, mas agora eu já tinha começado, precisava controlar por 24h pra não convulsionar. Não tinha jeito, tinha que esperar.

Marcus não queria sair do meu lado mas não podia ficar comigo na UTI depois das 22h. Ficou na recepção, tentando dormir no sofá e falando comigo pelo whatsapp. Quem disse que eu conseguia dormir. 3H da manhã pedi pra ele ir pra casa, demoraria, ele não precisava ficar ali passando sufoco. As 6h do dia 10 de janeiro de 2015 comecei a sentir cólicas. Mandei msg pra Ana que dormia em algum cantinho do hospital, ela escreveu: Ótimo! Quando você não conseguir mais ficar deitada é porque começou seu trabalho de parto.

Escrevi pro marido, e ele que tinha chegado há pouco tempo em casa e dormido apenas duas horinhas, correu de volta pro hospital apesar de eu ter dito que iria demorar, ele não precisaria se preocupar. Mas ele queria estar do meu lado. 


E aí a cólica foi aumentando. Não dava mais pra ficar deitada. Precisava levantar, precisava andar. Ela vinha forte e tudo que a Ana havia me explicado aconteceu. Mandei mensagem pra minha doula querida Roberta, eu já estava precisando dela. Avisei a minha fotógrafa e amiga que registrou os momentos mais felizes da minha vida, Andrea Paes, ela não poderia perder esse também. E avisei a equipe dos Boas Vindas que o meu parto domiciliar não iria rolar, conversamos sobre a possibilidade de ser filmado um mês antes, avisei que estava no hospital. Ela perguntou onde eu estava, quem era o médico e algumas horas depois elas estavam lá, super discretas e carinhosas. Gostaram da minha história e queriam registrá-la sim.

A maternidade estava lotada nesse dia, parece que todo mundo resolveu ter filho e não tinha quarto pra mim, a sala de parto humanizado estava ocupada. Por respeito as pacientes da UTI tentei me conter, inclusive a paciente da Ana que teve complicações estava bem do meu lado. Evitava gritar, ficava na minha. Perdi a noção do tempo, da hora, de tudo. Não peguei telefone. Era uma dor intensa, não era ritmada. Estava bem e de repente ficava de joelhos esperando passar. Tomei banho no banheiro minúsculo e escutava as enfermeiras cochichando: - O que está acontecendo? - Uma louca resolveu parir. Aí não aguentei, parei de me conter. A louca iria parir. Comecei a gritar, urrar e logo logo arranjaram um quarto.



Não lembro de muita coisa, a mente humana é tão perfeita que não consigo me lembrar da dor, dos momentos difíceis. Sei que fui pro chuveiro. Que a dor não era ritmada. Vinha forte por alguns minutos. Ficava 10 minutos sem nada e depois vinha de 5 em 5 minutos.
Não tinha um ritmo o que me deixava confusa. Hoje sei o que faltou no meu parto. Faltou EU. Faltou mais fé em mim. Faltou eu me entregar. Eu não estava pronta. Eu só fui em uma consulta e vi minha vida mudar de repente. Medo, ansiedade, tristeza… tantas emoções juntas que eu não consegui me agarrar a principal: Amor, pra receber nos braços minha filha. Lembro que fiquei quase todo o tempo de olhos fechados. Não queria ver nada nem ninguém. Queria me concentrar só no momento. Sentia as mãos da Roberta massageando minhas costas. Sentia o Marcus segurando minha mão as vezes. 

A única voz que eu prestava atenção era a dele, pra saber se ele estava ali. Não sei quem avisou a família, não sei a hora que as coisas aconteceram… não quis comer. Queria só que as coisas acontecessem. Mas eu sabia que estava alguma coisa errada. A Ana vinha discretamente escutar o coração da Sara pra saber se tudo estava bem. E a pequena estava. Mas lá no fundo eu sentia que não era tão bem assim, parecia que as coisas não evoluíam. O grande motivo de eu querer o parto normal é porque eu queria que Sara viesse quando ela estivesse pronta, quando fosse a hora dela, quando ela escolhesse… e não foi assim. Na minha cabeça eu estava forçando ela a vir, não era a hora dela, e ela não viria. E se não era a hora dela, pouco importava pra mim o tipo de parto. Naquele momento, eu jogada no chão, nua, quebrantada, cansada eu soube que não era hora da minha filha, eu não conseguiria. Foi quando minha mãe chegou. 

 Nem sei como ela conseguiu driblar todo mundo e entrar no quarto, mas ela chegou, me viu no chão e eu disse: Mãe, eu não vou conseguir, não é a hora dela mãe, ela não vai vir. E ela disse: Você vai, você vai conseguir, porque você pode todas as coisas naquele que Te fortalece. Aquele que habita no esconderijo do altíssimo, à sombra do onipotente descansará. Você vai conseguir. Ela segurou minha mão, sorriu pra mim. A Ana perguntou se eu queria a analgesia. Meu colo estava muito duro, tinha evoluído pouco, eu estava com 5 de dilatação ainda.

A maca chegou, me levaram pra sala pra tomar a anestesia. Minha mãe ficou me olhando do vidro da porta, sorrindo pra mim, mandando beijos, dizendo que eu ia conseguir e sempre choro quando lembro disso porque eu nem sabia que eu precisava tanto dela ali, mas eu precisava. 


 
Fomos pra sala pra tomar a anestesia, relaxar os músculos pro trabalho de parto evoluir mais rápido. Eu já estava muito cansada, dias no hospital, dormindo mal… tanta coisa tinha acontecido. Eu não aguentaria muito. Os batimentos da Sara estavam sendo sempre monitorados, mas enquanto a anestesista tentava aplicar a injeção, o que foi muito difícil pois estava tão inchada que não conseguia segurar as pernas então demorou muito, quando ela conseguia, eu tinha uma contração daquelas. Eu estava ficando tão sem forças e parece que Sarinha também, os batimentos dela começaram a cair. Hoje, analisando melhor a situação, chegamos a conclusão que quando eu estava deitada os batimentos ficavam mais fracos, enquanto eu estava em pé ficavam mais fortes. E como eu estava deitada esperando a anestesia fazer efeito, os batimentos da pequena foram caindo, caindo, caindo… pressão controlada, escuto Ana dizer: Brena, vamos fazer uma cesária agora. Balancei a cabeça que sim, eu já tinha dito, naquele momento pouco importava, Sara só precisava nascer.


E nos 45 minutos do 2º tempo… GOOOOOOOOOOOLLLL



E lá estava eu, sem forças já, sem pensar em mais nada. Sentia as contrações mas elas estavam mais suportáveis após a analgesia. A sala de cirurgia sendo preparada. Tomei a ráqui e enquanto esperava fazer efeito eis que a Ana foi me examinar e…. tcharam!!!

- Brena você está com 9 de dilatação. 9!!! Sara vai nascer.

Comecei a reclamar.

- Não dá, não aguento mais.


Ela foi do meu lado e disse: - Brena sabe o que tem na frente? Só uma bordinha. Ela vai nascer, você precisa fazer força. Só temos 20 minutos pra anestesia fazer efeito e fazer a cesárea.

E aí, foi geral falando: Vai Brena

Faz força

Só um pouquinho.

Vai!

Vai nascer!!!

Vai amor, você consegue!

Na minha cabeça ficou ecoando aquelas vozes: Vai, vai, vai, vai!!!

E eu já cansada daquilo tudo, doida pra acabar. Comecei a gritar igual uma louca. Táaaaaaa. Tiraaaaaaaa. Tira ela daiiiiiiiiiiiiii. Aaaaaaaaaaahhhh

E eu sei que tinha que esperar as contrações pra fazer força mas eu confesso, estava de saco cheio, não queria esperar mais nada, se era força que elas queriam eu ia fazer força, e parecia que eu estava toda me rasgando.

Lembro que eu escutava que a força deveria ser pra dentro, sem soltar o ar. Mas eu não queria nem saber, gritava mesmo AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH SAAAAAAAAAAAAAIIIIII!!!! E no intervalo dizia, eu to fazendo errado, to fazendo força errado né. E elas diziam: não está ótimo. Eu respirava fundo e gritava de novo.

Qual é a sensação de parir? Uma cabeça passando pelo meio das suas pernas.

Não consegue imaginar? Então serei mais realista, a verdade que ninguém tem coragem de dizer: um cocô gigante!!! #prontofalei

E aí, que depois de muito sufoco, em menos de 20 minutos… na segunda força, em um grito da minha alma… ela chegou. Chegou chegando. Não veio direto pros meus braços, foi pra pediatra. E aí ela chorou. Meu coração parou por alguns segundos. As lágrimas desciam. Acabou. Estava tudo bem. Tudo ficaria bem dali por diante, eu consegui. Nós conseguimos. As pessoas se abraçavam, eu olhei pra ela e as primeiras palavras que disse foi: Eu amo você… mentira, não foi. A primeira coisa que disse foi: Você vai ser filha única. :D



Trouxeram ela pra mim, tão miudinha, tão pequena, com aquela boca grande que eu já tinha visto na ultra. Fiquei com ela no peito, agradecendo a Deus por ela, e faço isso até hoje várias vezes ao dia, falando a mesma coisa: Muito obrigada Senhor pela vida da minha filha.

Ela nos meus braços, meu marido, super, hiper parceiro ao meu lado. Eu não precisava mais nada. Minha vida estava completa. Depois de muitos minutos, hora de levar nossa pequena guerreira pra conhecer a família. Anestesia começou a fazer efeito, frio, muito frio… apaguei. Fechei os olhos, finalmente dormiria e acordaria com minha filha do lado. 








Sendo assim…



Sei que tive intervenções, a própria indução é uma intervenção. Mas sei que todas as intervenções pela qual passei foram necessárias. Agradeço a equipe que assumiu o risco por mim, que me respeitou. Respeitou minhas escolhas e me deu a possibilidade de parir. Sem mentiras, sem enganações, jogando limpo do início ao fim. A Ana Fialho que foi um anjo na minha vida, me assumiu ainda que alguns dissessem pra não fazê-lo e ela fez e serei eternamente grata por isso.



Agradeço ao apoio do meu marido, sempre ali, respeitando minha escolha, minha decisão, segurando minha mão, me dando força, sem palavras, só ali, pra mim e por mim, foi a maior prova de amor que ele poderia feito e eu o amo ainda mais após isso.



Agradeço a Roberta com suas mãos de fada, me apoiando e me fazendo acreditar no meu corpo e em mim, que com suas palavras me deram tanta força. “Brena, não é o parto que você queria, mas é o que tem pra hoje então bora parir.” E eu pari!!



A Andrea que fez mais uma vez um registro lindo da minha história e me emociono toda vez que vejo e relembro de tudo isso. As imagens ficam na memória e no coração.



Ao grupo Parto com Respeito, que me apoiou, ensinou, lá escutaram meus medos, anseios. As coisas mais simples e idiotas pra muitos… pra mim e pra eles eram importantes. Seguraram minha mão, me abraçaram com braços e coração. Um grupo lindo que frequento até hoje pra apoiar e ajudar a outras mães que como eu chegam lá sem informação e passam a acreditar em si e em seu corpo. La´ me sinto amparada e amo como uma família e ainda estão me devendo uma despedida de barriga =)



A minha família que teve a paciência de esperar e respeitar o que eles chamaram de loucura. Eu chamo de amor.



E por último porém o mais importante: A Deus. Que mais uma vez mostrou o seu grande amor e cuidado por mim e me fez ver, mais uma vez. Que eu posso TODAS as coisas NELE que me fortalece, e que NELE, posso descansar!!! Riu de mim, mas me amou muito mais. À Ele, por Ele, Pra Ele, todas as coisas.



E no dia 10 de janeiro de 2015 às 19:15, nasceu a Sara Limoel Costa Calado, pra preencher a minha vida que eu nem sabia ser vazia antes dela chegar, de amor e luz.



Te amo minha filha e você não será filha única!!! 

Link para o programa Boas vindas : https://vimeo.com/149863283





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2 comentários:

  1. Lindo relato,me emocionei...
    O importante foi a chegada dela ao mundo,mesmo que nao tenha sido como vc sonhou,ne

    bjo

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  2. Que relato lindo...


    Parabéns pela força!Pelo emponderamento.




    Kkkkk...Rachei na hora q vc falou q a sensação era de um coco gigante, sempre tive essa sensação....


    Lindo nas!!!

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