terça-feira, 24 de maio de 2016

5 dicas para viajar de carro com bebês

Este final de semana tivemos um casamento no Interior de Campos dos Goytacazes, Atafona. Da cidade do Rio de Janeiro até lá foram 5h de carro. 5 horas sentada dentro de um carro já é cansativo para qualquer adulto, imagine para um bebê de 1 ano e 4 meses. Saímos de casa as 15h e chegamos as 20h.

Me preparei psicologicamente e aqui vão as dicas que funcionaram bem por aqui:

1 - É melhor prevenir - Enjoos
Perguntei para a pediatra se eu podia dar algo para enjoo, ela me recomendou o Dramin B6, foram 6 gotinhas. Parece ter funcionado pois Sara não passou mal. 

2 - Distração - Tablets, brinquedos, fantoches, vale tudo...
Para distrair a criança vale tudo. Muitos vídeos, desenhos, aplicativos infantis e um tablet 100% carregado. Quando ela enjoava do desenho, colocava outros. Mundo Bita, Palavra Cantada, Peppa, Pocoyo, cachorrinhos fofos... no desespero mamãe, vale tudo. 

3 - Lanchinhos - frutas, biscoitos e água, muita água.
Por aqui evitamos bastante os industrializados, mas não proibimos. Na viagem rolou uvas cortadinhas sem caroços, biscoito maizena, polvinho e o que faz mais sucesso e acalma a bebê boom, pipoca. Antes de sair de casa deixei um pacote de pipoca de microondas pronto e lá se foi todinha, afinal, quem não gosta de pipoca. Não levei sucos, água é sempre uma boa pedida e ela toma na garrafinha com canudinho. Sara não toma mamadeira, mas quem toma, não esquecer de levar uma garrafinha térmica com água. pra preparar o leite na hora. 
Em relação a comida, eu levei em pote térmico a  janta dela pronta e quando chegamos na pousada esquentei no microondas, assim eu não ficaria preocupada se teria algo aberto onde eu conseguiria comida pra ela. Sempre que viajo faço isso pra não me preocupar com a primeira refeição em um local diferente. 

4 - Conforto e praticidade
Uso muito no carro a almofada de cinto de segurança pro pescocinho de Sara não ficar caído. A minha é da Sorrindo e acho super útil independentemente de viajar, me dá um nervoso a criança dormir e ficar com aquele pescocinho caído.

5 - Trocas de fraldas
Super dica, se você vai viajar importante: use a melhor fralda disponível que você tiver, são detalhes que eu não pensei e a fralda vazou. Na estrada, sem nenhum lugar decente pra parar, sempre bom ter um trocador portátil. O meu também é da Sorrindo, prático, já vem com bolso pra colocar fraldas e pomadas, assim não precisa você carregar um monte de coisas. O jeito foi parar em uma parada qualquer e trocar a fralda no carro mesmo. Nunquinha troque com o carro em movimento.

Outras dicas: 
Levar sempre saquinhos plástico para o lixo e quem sabe, caso precise vomitar (tomara que não precise).
Levar uma bolsa com uma muda de roupa para o bebê e para você, com toalha inclusive, vai que aconteça aquele acidente? O bebê ficará limpinho mas e você?
Se for pegar estrada a noite, sempre é mais friozinho, é bom levar um casaco. 
Apesar de ir com o GPS, sempre dê uma olhada antes no percurso no google maps, pois tem lugares que o sinal não funciona bem. 
NÃO ESQUEÇA O CARREGADOR DO CELULAR, GPS, E TABLET. Não tem nada mais desesperador do que estar em uma estrada escura e a bateria começar a piscar.
E leve sempre dinheiro, você nunca saberá se precisará de um borracheiro de beira de estrada, é melhor prevenir.

De resto, paciência ao máximo e tente transformar a viagem em algo saudável e divertido. Aproveitem para passar tempo em família, conversando com o bebê, as crianças, o marido, cantando, e aproveitando esse momento só de vocês, sem interrupções.
Boa Viagem!!!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Super dica de presente de dia das mães

Eu poderia escrever aqui sobre um monte de coisas que eu gostaria de ganhar nesse dia das mães:
Pingentes para minha pulseira life, uma bolsa bacana, um kit spa, brinco de ouro pro meu segundo furo, uma bota pro inverno... (atenção marido #ficadica ).
Mas de todas essas coisas há uma que eu gostaria de ganhar e meu dinheiro não consegue comprar: o TEMPO!!!
Tempo para um banho demorado.
Tempo para ler um livro.
Tempo para assistir um filme sem interrupção.
Tempo para passear no shopping sem preocupação e pressa em voltar.
Tempo para ir ao salão.
Tempo para fazer tudo isso, SEM CULPA.

Sim, sem culpa! Essa é a parte mais difícil.
Conseguir esse tempo depende de apoio mas depende muito mais da gente, nós mães somos as principais culpadas por isso, pois não sabemos dividir, não sabemos delegar. Achamos que ninguém no mundo poderá cuidar dos nossos filhos melhor do que a gente, e adivinhem, não vão mesmo, mas eles sobreviverão a isso.
É muito comum pedirmos ajuda de alguém para ficar com nossos filhos para irmos ao médico, trabalharmos, fazermos algo urgente, mas nosso coração se enche de culpa caso a gente precise para irmos ao salão, fazermos a unha, sairmos com as amigas, ou simplesmente para ficarmos um pouco sozinhas em casa, ler um livro ou simplesmente dormir.
Você não será uma mãe pior por isso, é importante que a mulher esteja bem para que os filhos também estejam. Cuidar do bem estar materno é tão importante quanto o bem estar da criança.

Pensando nisso resolvi ajudar você, e fiz o SEU MELHOR PRESENTE DE DIA DAS MÃES!!! 

TEMPO!!!!!

Fiz com todo carinho do mundo uns cupons pra você usar em casa com sua família. 
Não, você não precisa deles, você pode respirar fundo e falar pra si mesma, hoje vou tirar um tempo pra fazer o que eu quiser. Mas é difícil, eu sei. Então essa é uma maneira divertida de você ganhar seu tempo e se forçar a usá-lo. Experimente usar todos os cupons em 1 mês, ou em 2 meses, ou quando tiver vontade, mas use, use e abuse do melhor presente que você pode ganhar, tempo pra si mesma :)


Faça o download aqui, imprima, coloque em um pote de vidro bem legal na sua cabeceira ou em outro lugar que você veja sempre, use e abuse.


E aproveite todos os dias, por que todos os dias é o nosso dia!!!

Brena Costa
mãe da Sara sardinha e usará hoje um VALE NIGHT.


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Top 10 - Minhas músicas nacionais preferidas sobre amor (de mãe)

Aproveitando o clima do Dias das Mães resolvi disponibilizar pra vocês meu Top 10 de músicas de amor. Amor de mãe e filho
Quando eu estava grávida construi minha própria trilha sonora.
E enquanto não faço minha Playslist no Spotify vou deixar aqui minha sugestão de músicas que você já deve ter ouvido mas pode nunca ter prestado atenção na letra e em como ela é bonita e se torna ainda mais quando pensamos em nossos filhos.

Vamos pro TOP 10 da mamãe!!!



#1 - Agora Eu Já Sei - Ivete Sangalo
Essa música Ivete gravou quando estava grávida do seu filho Marcelo, no clipe ela tinha pouquinho tempo de gravidez e pra mim foi a música da minha gravidez. Eu cantava pra barriga e quando entrei em trabalho de parto também, ansiedade de sentir esse amor incrível e era tudo isso mesmo.
"Agora eu já sei
Quando falta a respiração
É a prova que um coração
Já não sabe mais viver sem você

Agora eu já sei
Que me falta sempre a razão
Traduzir melhor na emoção
Do que trago aqui, bem dentro de mim
Dentro de mim..."

Que atire a primeira pedra a grávida que não se emociona com essa música. Chorei a primeira, a segunda e as dezenas vezes que escutei enquanto grávida. Na verdade já era um poema e a Bárbara Dias lindamente transformou em canção. É pra matar a mamãe de tanto chorar né
"Oitavo mês aguenta, que eu já to chegando
Só quero um jeito de te encontrar
No nono vem a pressa, a dor, o choro, a gente
Desculpa você ter que sangrar
E por mais uns anos, você vai fazer planos
Pensando se eles servem pra mim
E eu vou te acordar bem de madrugada
Você vai me amar mesmo assim"

Participo até hoje de grupos de gestantes e sempre nos dispedíamos da barriga com essa música. É linda demais.
"Bem vindo meu novo ser
cercado de proteção
de tanto amor tanta paz
Dentro do meu coração.

É como se eu tivesse
esperado toda vida pra te embalar
É como se eu tivesse
esperado toda vida pra te embalar"

#5 - Pra Você Guardei o Amor - Nando Reis 
Essa música do Nando Reis é linda e também me faz lembrar muito esse amor que explode dentro da gente. 
"Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris
Risca ao levitar"

#6 - Wave - Tom Jobim
Tom Jobim é Tom Jobim, e Jobim falando de amor, é Tom Jobim. Adoro o embalo de Wave que diz que é impossível ser feliz sozinho, realmente não dá, e eles são a razão da nossa felicidade.


#7 - Um Amor Puro - Djavan
Como não se emocionar ouvindo Djavan, e aí você vira mãe e aquelas baladinhas tomam outro significado.
"O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar
E todas as horas que o tempo
Tem pra me conceder
São tuas até morrer"

#8 -Oração Ao Tempo - Caetano Veloso
Caetano Veloso nos faz refletir e essa música é muito especial, trilha sonora do meu parto no programa Boas Vindas :)
"És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo..."

#9 - Anunciação - Alceu Valença
Como adepta do parto normal humanizado, eu me imaginei diversas vezes sentindo as primeiras contrações e sussurrando pra minha barriga, tu vens, tu vens... eu já escuto os teus sinais. Mas não rolou e você pode ver meu relato aqui
"Na bruma leve das paixões
Que vêm de dentro
Tu vens chegando
Pra brincar no meu quintal
No teu cavalo
Peito nu, cabelo ao vento
E o sol quarando
Nossas roupas no varal

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
"

Pra finalizar uma música que era especial pra mim antes mesmo de eu estar grávida, sempre quis que minha filha nascesse em setembro pra eu poder cantar essa música mas não rolou. 
"Filha, menina escolhida por Deus
Pra fazer sorrir a nossa vida com você
Os meus dias serão primavera
A flor mais bela

Tão bela quanto as rosas, preciosa como um lírio dos vales,
Seu nome é forte como a flor que resiste ao deserto
Seu sorriso em minha memória, Estará sempre guardado
Tão bela, preciosa, filha amada do pai, bela, tão bela
Seu nascer transformou a minha história
."


Essas são minhas sugestões, músicas que eu adoro e sempre me fazem lembrar da minha pequena. 
Espero que gostem também e criem a própria trilha sonora de vocês. Deixem aqui suas sugestões, quero saber as músicas preferidas das mamães

Brena Costa, sentindo-se cantora para Sara Sardinha


quarta-feira, 16 de março de 2016

Do berço para a cama - como escolher o colchão ideal para seu bebê

Minha pequena tem apenas 1 ano e 2 meses mas já estamos fazendo a transição do berço para a cama de solteiro.

O que nos levou a tomar essa decisão?

Ela dormiu no berço apenas de 4 a 7 meses, depois disso foi cama compartilhada. Confesso que gosto. Ela ainda mama no peito e mama a noite toda... mama, dorme, acorda no meio da noite procurando, mama, dorme... sou uma índia, peitos para fora a noite toda. Daí percebemos que o berço é um ótimo cesto gigante de roupas e brinquedos. Se eu pudesse voltar no tempo, nada de berços. Um berço camping, um colchão no chão e um quarto montessoriano. Maaaas, agora já era.

Nosso berço é um daqueles berços super, mega power... é berço, cama, cabeceira, cômoda, tudo junto. Então decidimos transformá-lo logo, se Sara não dormir nela por enquanto, pelo menos as visitas irão.

E aí, aquele momento: A COMPRA DO COLCHÃO ADEQUADO


O problema: 
Provavelmente até ela se adaptar ao quarto e a nova cama levará tempo, e certamente será necessário que o pai ou eu deitemos ao lado dela algumas vezes (muuuitas vezes, quase sempre) sendo assim, o colchão precisa suportar não apenas o peso dela e sim o nosso também, ainda que esporadicamente, se não... bye bye colchão rapidamente. E sabemos disso por experiência própria, compramos um colchão D18 para visitas e hoje não é mais colchão, é colchonete, pois não sabíamos disso. Dessa vez resolvemos estudar e olha o que descobrimos:


O colchão para criança apropriado é o de espuma, pois os pequenos ainda não tem estrutura óssea adequada para dormir em colchões de molas e nos colchões de água. Já os ortopédicos são recomendados apenas em casos de indicação médica.
 A quantidade de espuma utilizada para aquele colchão é medida pela densidade dele. D33 quer dizer que foram utilizados 33Kg de matéria prima para aquele colchão e assim por diante. 

Bem, então como escolher o colhão de espuma ideal? Existe uma tabela de densidade para te ajudar a escolher o melhor colchão de espuma para o seu filho. 


Como foi dito no problema que usaríamos o colchão também, decidimos comprar um colchão com densidade D28, nem muito rígido, nem muito macio. Meio termo e que suportará por um tempo o nosso peso. Caso só a criança for usar o colchão (nada de visitas ou pulos na cama) a densidade escolhida pode ser menor como a D18 a D23.  Invista em colchões mais lisos, evitando bordados de relevo muito elevados para não prejudicar as funções ortopédicas da criança.

O colchão escolhido foi: Colchão Pro Saúde D28 da Ortobom. 





Brena, mãe da Sara Sardinha que agora tem caminha mas gosta mesmo e de dormir com os papais :)

terça-feira, 1 de março de 2016

O que toda mãe deveria saber sobre dizer NÃO

Aqui temos uma bebê de quase 1 ano e 2 meses e você já devem imaginar como são os meus dias:

Sara não mexa aí
Sara não suba
Sara não pegue isso
Sara não pode
Sara tira a mão da tomada
Sara não desligue a televisão
Sara não mexa no lixo

Sara NÃO NÃO NÃO NÃO!!!
E vocês já devem imaginar o que acontece. No minuto seguinte, ela está fazendo a mesma coisa. 

Não, ela não está testando minha autoridade. Ela não é um bebê do mal que quer me tirar do sério o tempo inteiro e me sacanear. Ela só é uma bebê curiosa, uma bebê normal. E após refletir eu descobri que o NÃO, NÃO FUNCIONA!!!

Vamos lá, há pouco mais de 1 ano ela estava dentro da minha barriga, quietinha, em seu mundinho apertado. De repente... BUUUM. Nasceu. pessoas estranhas, vozes, temperatura diferente e desde então um mundo de sensações e aprendizados. Tudo novo, tudo rápido, tudo intenso. Sério, deve ser bem complicado ser bebê. As coisas acontecem bem rápido. Ela era um bebezinho, mexe perninhas, bracinhos, logo está girando, rolando, se arrasta, engatinha, anda. Tantas cores, tantas texturas, tantos sons. Percebe que pode se mover, que pode falar, pode subir e descobre rapidamente o que Newton demorou uma vida inteira, que toda ação tem uma reação. Joga as coisas no chão pra buscarmos, sobe nas coisas, espalha tudo. Por quê? Por quê é divertido. Por quê é curioso. Por quê é novo. 

E aí, no meio de tantas novidades viramos uma máquina de NÃO! Se me filmassem acredito que eu falaria mais de mil nãos por dia, até que eu mudei minha abordagem. Vamos observar a diferença:

Sara não mexa no carregador do celular!!!   X     Aaaah você quer mexer no carregador do celular. Você quer encaixá-lo na tomada? você sabia que você pode acabar se machucando? Já que você gosta de encaixar que tal se fôssemos brincar com seus brinquedos de encaixe e você me mostra como faz. 

Quando seu bebê quer fazer coisas perigosas, na verdade ele está apenas tentando repetir situações comuns que fazemos e/ou estão curiosos. Até ontem eles estavam em sua barriga, ele não tem como saber o porquê não pode fazer as coisas. Antes de usar o não de primeira, tente colocá-lo com última opção. Como?

1º -  Reconheça a necessidade da criança. Antes de dizer o não experimente usar a palavrinha mágica "Ah!..." 
Ah você quer brincar com meu celular? Ah você gosta de pular na cama? Ah você quer mexer no lixo?

Não quer dizer que você concorde com o que está acontecendo e sim que você reconhece a necessidade da criança.

2º - Participar, explicar a verdade e propor acordos.
- Você gosta de brincar com meu celular, eu também gosto muito dele, é divertido não é mesmo? Mas tem muitas coisas que você ainda não sabe mexer e pode acabar quebrando, então vou ficar aqui do seu lado e te ajudar tá bom? 
- Pular na cama é muito divertido mas você pode acabar caindo se eu não estiver por perto que tal ao invés disso irmos brincar no quintal?
- você quer ver o que tem no lixo né. Aqui colocamos o que não usamos mais, você quer me ajudar a colocar essas coisas no lixo e depois levamos pra lixeira juntos pro lixeiro levar nosso lixo embora?

 Não quer dizer que você nunca dirá NÃO aos seus filhos, mas experimentem fazer esse exercício. Aqui tem funcionado bastante, é diário, todo tempo, todo minuto. Reconhecer que eles são páginas em branco prontas para serem escritas, somos co-autores desses livros e que não é nada fácil ser criança.

Sara fazendo bagunça no meio das panelas, tirei a roupa dela, dei algumas coisas que ela pudesse brincar e ficou ali me ajudando a fazer o jantar :)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O que devemos aprender com os animais sobre maternidade


Vivemos um mundo moderno, cheio de tecnologias, facilidades, que muitas vezes nos impedem de pensar, refletir. Muitas vezes não nos damos o trabalho de questionar, alguém já tomou decisões por por você e resolveu facilitar sua vida e dessa forma você vai deixando de lado seus desejos, seus pensamentos, simplesmente aceita o que foi dito, sem refletir muito a respeito. E com isso temos uma sociedade mais organizada, cheia de regras e civilizada (sqn).

E é nessa sociedade tão civilizada, que nossos instintos são deixados de lado e coisas simples, naturais e fisiológicas dão espaço as "facilidades" do mundo moderno. E com isso, parir, amamentar, carregar o bebê entre outras coisas, antes normais, agora tabus. 

Sem querer polemizar (mas já aceitando que tornou-se um assunto polêmico) qual é o problema em parir? Porque o espanto quando alguém diz: Vou esperar meu filho decidir a hora que quer nascer? Tentarei um parto normal.
Se sua cachorrinha está grávida você já agenda a cesárea com medo da dor que ela vai passar? Parir é fisiológico, natural. Dói, mas nosso corpo está preparado pra isso, assim como está preparado pra fazer xixi e cocô. Simples. Então por que o espanto? Por que alguém disse que há um meio mais "fácil" onde você não sente dor, vai para o hospital em um dia escolhido e sai de lá no dia seguinte com o bebê nos braços. Não precisa pensar muito a respeito, é a facilidade do mundo moderno. 
(Deixar claro que não sou contra a cesárea ou quem opta por ela, cesáreas salvam vidas sim e muitas, sou contra um sistema que te empurra uma cesárea sem te dar uma escolha ou informação.)

E amamentar... outro problema. Você tem que se cobrir, afinal, ninguém nunca viu um peito na vida, e se a mulher está amamentando na rua provavelmente o objetivo dela não é só alimentar seu filho, que tem no leite materno o melhor e mais rico alimento do planeta pra ele, a mulher provavelmente está querendo seduzir as pessoas em volta. E por que alimentar com seu leite natural e grátis se você pode comprar leite artificial, mamadeiras lindas e modernas?
Assim como nossa amiga cesárea, o leite artificial e nossas coleguinhas mamadeiras deveriam ser também para exceções, casos de mães que por algum problema não conseguiram/puderam amamentar. 
Mas amamentar dói, é difícil, requer tempo e dedicação. São horas e horas com o bebê ali, nos braços mamando e mamando e mamando. Peito ferido, lágrima descendo. Dói, assim como nosso amigo parto você não precisa passar por isso. Alguém já facilitou nossa vida, viva o mundo moderno, as mamadeiras e o leite artificial.

Ok, você não pode parir sem te olharem torto, nem amamentar na rua mas e carregar o seu bebê, pode? 
Pra quê? se você pode carregar no carrinho, deixar no berço, no bebê conforto. Ficar com o bebê no colo deixa ele mimado e pra quê usar esses carregadores de bebês, vai deixar a criança muito apegada. OOOOiiiii????
É você também não pode usar um sling. Isso é coisa de hippie, de gente estranha, diferente. Ou você nunca percebeu as pessoas te olhando quando você está com seu bebê no sling pela rua. E aquelas perguntas: Isso não está sufocando o bebê? Ele não está com calor? A perna não vai ficar com problemas? 
Por que carregar no colo, perto do seu coração, com ele sentindo seu cheiro, seu calor, o embalo do seu corpo, o som da sua voz se você pode deixar no berço ou no carrinho?! 

Por quê? Por que? Por quê? 

PORQUE SOMOS ANIMAIS!!!!!

E como todos animais devemos respeitar nossos instintos, nossas necessidades, nossos desejos primitivos. Ninguém questiona o parto da cadelinha, ninguém se mete com dona macaca amamentando e ninguém tira o bebê canguru da bolsa da mãe, porque tudo isso é SIMPLES E NATURAL. Devemos respeitar esses nossos instintos, e se não são os seus instintos, respeite os instintos alheios porque existem mães que não quiseram/puderam ter um parto normal mas que ama amamentar mas não gosta de carregar seus bebês, e outras que tiveram um parto normal e não conseguiram amamentar por muito tempo e é super adepta do slings. Parir é coisa de animal, amamentar é coisa de animal, carregar bebê é coisa de animal e deixa eu te contar uma coisa: TAMBÉM SOMOS ANIMAIS!!! Animais diferentes, com desejos e instintos diferentes mas ainda assim, animais. 

Brena Costa, 
fêmea nesse mundo animal

Obs: Esse texto é apenas uma reflexão da autora sobre o mundo moderno, sem atacar escolhas de ninguém. Respeitamos todas as opiniões.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Fazer planos é fazer Deus rir - O relato do meu parto


 Depois de mais de um ano aprendi que...

... fazer planos é fazer Deus rir.

É assim que começa meu relato, essa é a frase da minha vida. Terminei 2014 com ela e ela me acompanhará pra sempre. Consigo imaginar Deus, uma luz… nunca consegui dar um rosto a Deus, mas consigo visualizar Ele todo grandão em seu trono, nas nuvens, com uma luz forte em volta, olhando aqui pra baixo e… morrendo de rir. Sério, todas as vezes que faço planos, crio sonhos, digo vou fazer, vou ser, vou acontecer… consigo escutar suas gargalhadas e sentir seus olhos cheios de amor dizendo: Ah minha filha, se soubesse o que tenho preparado pra você...

Era 7 de janeiro, Rio de Janeiro, verão, 42º graus, 35 semanas de gravidez. Acabou as festas de final de ano, a cidade voltava devagar a rotina, e lá estava eu, uma grávida se arrastando para o trabalho, inchada, mal conseguia andar… uma pata desengonçada pelas ruas do centro. A última consulta de pré-natal estava marcada praquele dia. Tudo estava normal, eu achava que estava. Não sentia nada além de muito inchaço e muito calor, eu pensava que a qualquer momento minhas pernas poderiam explodir. Então, lá fui eu pro médico pra pedir alguns dias em casa pra deixar as perninhas pro alto porque nenhuma grávida é de ferro né.
Antes de continuar, deixa eu contar aqui o plano inicial. Desde os 3 meses de gravidez havíamos decidido pelo parto domiciliar (PD). Isso mesmo que ouviram, parto em casa. Não, eu não sou nenhuma índia louca, surtada que resolveu parir em casa. Eu tinha acompanhamento, eu procurei uma equipe, pessoas capacitadas prontas para isso. Eu acreditava e ainda acredito que meu bebê vir ao mundo diretamente pros meus braços, com o aconchego do nosso lar, nosso calor, seria a melhor opção do que uma sala fria de um centro cirúrgico. Acreditava e ainda acredito. O plano A era, ficar com o obstetra cesarista pelo plano de saúde para acompanhar a gravidez e fazer os exames, e ser acompanhada também pela equipe obstétrica do parto domiciliar, se algo desse errado, acionava a maravilhosa e talentosa obstetra Ana Fialho, a médica backup do meu PD. Fui a algumas consultas com ela e ela estava ciente disso. Ou seja, estava tudo bem organizado, planejado, com todas as ações bem definidas e acompanhada. Agora era só esperar pelo dia que a bolsa romperia. Me imaginava na minha mesa de trabalho, a água escorrendo e eu falando: Pessoal, arranjem um carro pra me levar pra casa pois ou eu fiz xixi nas calças ou minha bolsa estourou. Cheguei a fazer bolão no trabalho pro dia que seria, obviamente, ninguém ganhou.

Vamos voltar pro dia 07 de janeiro. Lá fui eu pro médico cesarista pedir meu simples atestadinho. Assim que cheguei fui recebida com a notícia de que meu plano o havia descredenciado desde 1 de janeiro e portanto ele não faria mais meu parto, ah não ser que eu pagasse. Ooooiiii??? Tudo bem, eu realmente não faria com ele, mas e se eu fosse, ele deixaria uma grávida na mão com 35 semanas? Sim, ele iria. Pra deixar claro, ele foi um excelente médico toda a gestação, me tratou muito bem, foi muito sincero desde o início e foi um excelente profissional, do jeito dele. Por respeito a isso, não citarei nome. Quando ele mediu minha pressão: 14x11 e a última ultrassonografia que eu havia feito dizia que minha placenta já estava com grau de maturidade 3 antes das 32 semanas. 50% das placentas chega a esse grau nessa fase, outras nem chegam. Mas já havia conversado com minha equipe e obstetra e isso não era um problema, o problema estava na pressão.
Quando viu isso, o amigo cesarista olhou pra mim e disse: você e seu bebê estão correndo risco de vida, precisamos tirar ela daí. Oooooiiii????
Dei meu sorriso amarelo e disse: Mas doutor, e o plano de saúde? Como vou pagar isso? Tenho que pensar.
E ele: Você paga e depois eles te reembolsam, como eles me descredenciaram eu não sou obrigado a aceitá-lo. Mas você não trabalha no lugar X? Eles tem hospital. Se você não me ligar até as 17h vou entender que você foi pra lá e conseguiu dar um jeito.

Na hora eu pensei: FDP!!! Conseguiu uma desculpa pra me empurrar uma cesária, mas não vou cair nessa não, sou empoderada rapá. Tentei acalmar meu marido, de que tudo estava bem e que era só mais um médico empurrando uma cesárea. Mas aí a merda já estava feita, ele ficou preocupado, e depois descobrimos que o tal médico tinha razão.



Que pressão é essa hein?

No mesmo dia eu teria consulta com a enfermeira obstétrica. Liguei pra ela e expliquei a situação. Ela disse que eu precisava confirmar se a pressão estava alta mesmo. Como eu estava em Copacabana perto do consultório da Ana, liguei pra ela e perguntei se podia ir pra lá. Ela não estava mas disse que tinha outro médico lá e a enfermeira poderia medir. E lá fomos nós. Eu bem tranquila de que não era nada daquilo. Eu estava bem, gravidez excelente, não senti nenhum enjoo, nunca passei mal, nunca sangrei, pressão 11x8 a gravidez toda, inclusive há 10 dias havia sido medida e deu 12x8, normal. Aquilo não estava acontecendo. Era só o calor. Mediu de novo: 14x11 , 1 hora depois 14x11. “Merda de calor que não passava” Eu pensava. Melhor ser consultada pelo médico. Aguardamos mais um pouco, ele olhou os exames, olhou pra mim, mediu mais uma vez. A pressão ainda alta e foi quando ele disse:
- Brena, temos duas linhas de ação. Ou você pode ir pra casa, acompanhar essa pressão, fazer alguns exames e monitorarmos o tempo todo. Ou você pode ir pro hospital, ser internada e acompanharemos tudo por lá. Sugiro a segunda opção por ser a mais segura.
- Mas e meu parto domiciliar?
- Acabou, não dá mais e nem posso te garantir que você vai conseguir algum dia.
Sabe, a lágrima ainda desce escrevendo isso. Aquilo tudo que sonhei, que li, reli, vivi, agarrei. Não dá mais, não pra mim. Fim de jogo, game over. Dei minha mesa de jantar de 6 lugares, linda, tão amada pra caber uma piscina na minha sala. Chega a ser tão ridículo, agora aqui estou eu, com uma mini mesa e sem piscina. Aff!!!
Marido optou pela internação. Fomos pra casa. Silenciosa, chorosa. Fui pro quarto dela, olhei em volta. Não tinha mala pronta, porque não teria o que arrumar, ela nasceria ali, em casa, com tudo disponível esperando por ela. Não tinha lembrancinhas e nem saída de maternidade porque não haveria maternidades pra ir. Enquanto meu marido guardava o carro eu chorei, gritei, chorei pelo que sonhei não se concretizar, chorei pelos relatos de parto que li, chorei porque todos sempre disseram que o parto é natural, é uma máquina, é fisiológico. Chorei de inveja das mulheres que não tem nenhum problema e optam por cesáreas, e daquelas que conseguem seu lindo parto na água, na piscina, em qualquer lugar, mas conseguem ter o que elas querem. Chorei de raiva, de inveja, de vergonha e de culpa porque eu não consegui e não sabia onde tinha errado.
Depois respirei fundo… eu só estava indo pro hospital monitorar a pressão e ver se tudo estava bem. Meu bebê não ia nascer, dava tempo. Me recusava a aceitar que aquilo estava acontecendo. Não arrumei mala, ela iria esperar, não iria nascer, ela viria quando ela quisesse. Separei roupa para apenas dois dias, e fui. Ainda não tinha acabado, era só o plano B. Respirei fundo, separei feltros, tesoura, linhas e agulhas… se a maternidade tinha entrado em ação, eu precisava de lembrancinhas pra entregar pras visitas.


Plano B ativar

Foi um dia bem triste, porque a Ana já estava na Maternidade cuidando de um caso de pressão alta bem mais sério que o meu. Ela estava cansada e me passou tranquilidade. A primeira linha de ação seria fazer os exames. Ultrassonografia, cardio, e exame de urina pra ver se tinha proteína. Na ultra e na cardio estava tudo bem, Sarinha estava bem. Mas a pressão ainda alta, oscilava entre 14x11 e 16x10. A Ana me explicou o seguinte: Que se fosse apenas uma hipertensão gestacional, dava pra monitorar e aguardar até 37 semanas, se fosse uma pré-eclâmpsia leve poderíamos aguardar até completar as 36, em caso de pré-eclâmpsia grave, os riscos não compensam, e é indicado o parto a partir de 34 semanas. Eu estava com 35 semanas e no exame simples de urina já foi identificado proteína, o que significava? Que eu tinha dado muita sorte (só que não), pré-eclâmpsia grave. Não teria jeito, Sarinha não esperaria muito tempo.
Passeio o dia 08, no quarto fazendo exames e controlando a pressão, quando finalmente dei a notícia pros meus pais e eles passaram a tarde comigo. Tentei acalmá-los de que tudo estava bem. O interessante é que quando minha mãe foi almoçar com meu pai ela contou pra ele que Deus havia falado com ela que Sara nasceria sábado, depois das 18h. Minha mãe é sinistra e Deus não erra. Percebi que o artesanato não iria rolar na maternidade, e me achei mega estúpida por ter pensado nessa possibilidade. Acionei irmã e prima e deixei com elas a operação lembrancinhas, eu já era mãe e mãe pensa em tudo.
Na manhã do dia 09, saiu o resultado do exame pra confirmar o que já esperávamos. Pré-eclâmpsia grave. Pressão ainda entre 14 e 16x10 e 11 a Ana, mais uma vez como uma anjo na minha vida, conversou abertamente comigo. Não valia a pena os riscos, Sara chegaria antes do tempo. Eu perguntei, se seria cesárea e ela disse que não precisava ser. O que as pessoas não sabem é que a cesárea também tem seus riscos e com a minha pressão daquele jeito eu poderia convulsionar, ter uma hemorragia, sequelas. Anestesia, 7 camadas do corpo sendo abertas, expostas. Cesária é uma cirurgia e qualquer cirurgia com pressão alta as chances de algo dar errado, seriam maiores. A cirurgia é em último caso e se existia uma alternativa menos agressiva no meu caso, eu tentaria. Ana me explicou o processo de indução e resolvi tentar. Fomos para a UTI sulfatar para prevenir uma possível convulsão e controlar a pressão. Enquanto isso, ela aplicou o comprimido de misoprostol para relaxa o músculo, afinar o colo e facilitar a dilatação e foi dado início a indução do meu parto, a ficha não tinha caído mas eu iria parir.

Tempo tempo tempo, compositor de destinos


O tempo não passava, se arrastava. Nada acontecia, eu não sentia nada. Meu marido foi maravilhoso, ficou o tempo inteiro do meu lado, sorria pra mim, segurava a minha mão. Ninguém sabia que eu estava na UTI. Unidade de Terapia Intensiva é um nome muito forte e assustador, eu estava bem, tudo estava bem na medida do possível, sendo controlado.
A Ana Fialho ficou no hospital o tempo inteiro, esperando. Me esperando. Cansada, mas ali. Deus foi maravilhoso comigo colocando ela do meu lado. E quando não estava por perto, estava por whatsapp. Respondia todas as dúvidas. Em alguns momentos eu duvidei, senti medo. Minha pressão estava sendo controlada, pensei na cesária sim, mas agora eu já tinha começado, precisava controlar por 24h pra não convulsionar. Não tinha jeito, tinha que esperar.
Marcus não queria sair do meu lado mas não podia ficar comigo na UTI depois das 22h. Ficou na recepção, tentando dormir no sofá e falando comigo pelo whatsapp. Quem disse que eu conseguia dormir. 3H da manhã pedi pra ele ir pra casa, demoraria, ele não precisava ficar ali passando sufoco. As 6h do dia 10 de janeiro de 2015 comecei a sentir cólicas. Mandei msg pra Ana que dormia em algum cantinho do hospital, ela escreveu: Ótimo! Quando você não conseguir mais ficar deitada é porque começou seu trabalho de parto.
Escrevi pro marido, e ele que tinha chegado há pouco tempo em casa e dormido apenas duas horinhas, correu de volta pro hospital apesar de eu ter dito que iria demorar, ele não precisaria se preocupar. Mas ele queria estar do meu lado. 

E aí a cólica foi aumentando. Não dava mais pra ficar deitada. Precisava levantar, precisava andar. Ela vinha forte e tudo que a Ana havia me explicado aconteceu. Mandei mensagem pra minha doula querida Roberta, eu já estava precisando dela. Avisei a minha fotógrafa e amiga que registrou os momentos mais felizes da minha vida, Andrea Paes, ela não poderia perder esse também. E avisei a equipe dos Boas Vindas que o meu parto domiciliar não iria rolar, conversamos sobre a possibilidade de ser filmado um mês antes, avisei que estava no hospital. Ela perguntou onde eu estava, quem era o médico e algumas horas depois elas estavam lá, super discretas e carinhosas. Gostaram da minha história e queriam registrá-la sim.
A maternidade estava lotada nesse dia, parece que todo mundo resolveu ter filho e não tinha quarto pra mim, a sala de parto humanizado estava ocupada. Por respeito as pacientes da UTI tentei me conter, inclusive a paciente da Ana que teve complicações estava bem do meu lado. Evitava gritar, ficava na minha. Perdi a noção do tempo, da hora, de tudo. Não peguei telefone. Era uma dor intensa, não era ritmada. Estava bem e de repente ficava de joelhos esperando passar. Tomei banho no banheiro minúsculo e escutava as enfermeiras cochichando: - O que está acontecendo? - Uma louca resolveu parir. Aí não aguentei, parei de me conter. A louca iria parir. Comecei a gritar, urrar e logo logo arranjaram um quarto.

Não lembro de muita coisa, a mente humana é tão perfeita que não consigo me lembrar da dor, dos momentos difíceis. Sei que fui pro chuveiro. Que a dor não era ritmada. Vinha forte por alguns minutos. Ficava 10 minutos sem nada e depois vinha de 5 em 5 minutos.
Não tinha um ritmo o que me deixava confusa. Hoje sei o que faltou no meu parto. Faltou EU. Faltou mais fé em mim. Faltou eu me entregar. Eu não estava pronta. Eu só fui em uma consulta e vi minha vida mudar de repente. Medo, ansiedade, tristeza… tantas emoções juntas que eu não consegui me agarrar a principal: Amor, pra receber nos braços minha filha. Lembro que fiquei quase todo o tempo de olhos fechados. Não queria ver nada nem ninguém. Queria me concentrar só no momento. Sentia as mãos da Roberta massageando minhas costas. Sentia o Marcus segurando minha mão as vezes. 

A única voz que eu prestava atenção era a dele, pra saber se ele estava ali. Não sei quem avisou a família, não sei a hora que as coisas aconteceram… não quis comer. Queria só que as coisas acontecessem. Mas eu sabia que estava alguma coisa errada. A Ana vinha discretamente escutar o coração da Sara pra saber se tudo estava bem. E a pequena estava. Mas lá no fundo eu sentia que não era tão bem assim, parecia que as coisas não evoluíam. O grande motivo de eu querer o parto normal é porque eu queria que Sara viesse quando ela estivesse pronta, quando fosse a hora dela, quando ela escolhesse… e não foi assim. Na minha cabeça eu estava forçando ela a vir, não era a hora dela, e ela não viria. E se não era a hora dela, pouco importava pra mim o tipo de parto. Naquele momento, eu jogada no chão, nua, quebrantada, cansada eu soube que não era hora da minha filha, eu não conseguiria. Foi quando minha mãe chegou. 

 Nem sei como ela conseguiu driblar todo mundo e entrar no quarto, mas ela chegou, me viu no chão e eu disse: Mãe, eu não vou conseguir, não é a hora dela mãe, ela não vai vir. E ela disse: Você vai, você vai conseguir, porque você pode todas as coisas naquele que Te fortalece. Aquele que habita no esconderijo do altíssimo, à sombra do onipotente descansará. Você vai conseguir. Ela segurou minha mão, sorriu pra mim. A Ana perguntou se eu queria a analgesia. Meu colo estava muito duro, tinha evoluído pouco, eu estava com 5 de dilatação ainda.
A maca chegou, me levaram pra sala pra tomar a anestesia. Minha mãe ficou me olhando do vidro da porta, sorrindo pra mim, mandando beijos, dizendo que eu ia conseguir e sempre choro quando lembro disso porque eu nem sabia que eu precisava tanto dela ali, mas eu precisava. 

 
Fomos pra sala pra tomar a anestesia, relaxar os músculos pro trabalho de parto evoluir mais rápido. Eu já estava muito cansada, dias no hospital, dormindo mal… tanta coisa tinha acontecido. Eu não aguentaria muito. Os batimentos da Sara estavam sendo sempre monitorados, mas enquanto a anestesista tentava aplicar a injeção, o que foi muito difícil pois estava tão inchada que não conseguia segurar as pernas então demorou muito, quando ela conseguia, eu tinha uma contração daquelas. Eu estava ficando tão sem forças e parece que Sarinha também, os batimentos dela começaram a cair. Hoje, analisando melhor a situação, chegamos a conclusão que quando eu estava deitada os batimentos ficavam mais fracos, enquanto eu estava em pé ficavam mais fortes. E como eu estava deitada esperando a anestesia fazer efeito, os batimentos da pequena foram caindo, caindo, caindo… pressão controlada, escuto Ana dizer: Brena, vamos fazer uma cesária agora. Balancei a cabeça que sim, eu já tinha dito, naquele momento pouco importava, Sara só precisava nascer.

E nos 45 minutos do 2º tempo… GOOOOOOOOOOOLLLL

E lá estava eu, sem forças já, sem pensar em mais nada. Sentia as contrações mas elas estavam mais suportáveis após a analgesia. A sala de cirurgia sendo preparada. Tomei a ráqui e enquanto esperava fazer efeito eis que a Ana foi me examinar e…. tcharam!!!
- Brena você está com 9 de dilatação. 9!!! Sara vai nascer.
Comecei a reclamar.
- Não dá, não aguento mais.

Ela foi do meu lado e disse: - Brena sabe o que tem na frente? Só uma bordinha. Ela vai nascer, você precisa fazer força. Só temos 20 minutos pra anestesia fazer efeito e fazer a cesárea.
E aí, foi geral falando: Vai Brena
Faz força
Só um pouquinho.
Vai!
Vai nascer!!!
Vai amor, você consegue!
Na minha cabeça ficou ecoando aquelas vozes: Vai, vai, vai, vai!!!
E eu já cansada daquilo tudo, doida pra acabar. Comecei a gritar igual uma louca. Táaaaaaa. Tiraaaaaaaa. Tira ela daiiiiiiiiiiiiii. Aaaaaaaaaaahhhh
E eu sei que tinha que esperar as contrações pra fazer força mas eu confesso, estava de saco cheio, não queria esperar mais nada, se era força que elas queriam eu ia fazer força, e parecia que eu estava toda me rasgando.
Lembro que eu escutava que a força deveria ser pra dentro, sem soltar o ar. Mas eu não queria nem saber, gritava mesmo AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH SAAAAAAAAAAAAAIIIIII!!!! E no intervalo dizia, eu to fazendo errado, to fazendo força errado né. E elas diziam: não está ótimo. Eu respirava fundo e gritava de novo.
Qual é a sensação de parir? Uma cabeça passando pelo meio das suas pernas.
Não consegue imaginar? Então serei mais realista, a verdade que ninguém tem coragem de dizer: um cocô gigante!!! #prontofalei
E aí, que depois de muito sufoco, em menos de 20 minutos… na segunda força, em um grito da minha alma… ela chegou. Chegou chegando. Não veio direto pros meus braços, foi pra pediatra. E aí ela chorou. Meu coração parou por alguns segundos. As lágrimas desciam. Acabou. Estava tudo bem. Tudo ficaria bem dali por diante, eu consegui. Nós conseguimos. As pessoas se abraçavam, eu olhei pra ela e as primeiras palavras que disse foi: Eu amo você… mentira, não foi. A primeira coisa que disse foi: Você vai ser filha única. :D

Trouxeram ela pra mim, tão miudinha, tão pequena, com aquela boca grande que eu já tinha visto na ultra. Fiquei com ela no peito, agradecendo a Deus por ela, e faço isso até hoje várias vezes ao dia, falando a mesma coisa: Muito obrigada Senhor pela vida da minha filha.
Ela nos meus braços, meu marido, super, hiper parceiro ao meu lado. Eu não precisava mais nada. Minha vida estava completa. Depois de muitos minutos, hora de levar nossa pequena guerreira pra conhecer a família. Anestesia começou a fazer efeito, frio, muito frio… apaguei. Fechei os olhos, finalmente dormiria e acordaria com minha filha do lado. 





Sendo assim…

Sei que tive intervenções, a própria indução é uma intervenção. Mas sei que todas as intervenções pela qual passei foram necessárias. Agradeço a equipe que assumiu o risco por mim, que me respeitou. Respeitou minhas escolhas e me deu a possibilidade de parir. Sem mentiras, sem enganações, jogando limpo do início ao fim. A Ana Fialho que foi um anjo na minha vida, me assumiu ainda que alguns dissessem pra não fazê-lo e ela fez e serei eternamente grata por isso.

Agradeço ao apoio do meu marido, sempre ali, respeitando minha escolha, minha decisão, segurando minha mão, me dando força, sem palavras, só ali, pra mim e por mim, foi a maior prova de amor que ele poderia feito e eu o amo ainda mais após isso.

Agradeço a Roberta com suas mãos de fada, me apoiando e me fazendo acreditar no meu corpo e em mim, que com suas palavras me deram tanta força. “Brena, não é o parto que você queria, mas é o que tem pra hoje então bora parir.” E eu pari!!

A Andrea que fez mais uma vez um registro lindo da minha história e me emociono toda vez que vejo e relembro de tudo isso. As imagens ficam na memória e no coração.

Ao grupo Parto com Respeito, que me apoiou, ensinou, lá escutaram meus medos, anseios. As coisas mais simples e idiotas pra muitos… pra mim e pra eles eram importantes. Seguraram minha mão, me abraçaram com braços e coração. Um grupo lindo que frequento até hoje pra apoiar e ajudar a outras mães que como eu chegam lá sem informação e passam a acreditar em si e em seu corpo. La´ me sinto amparada e amo como uma família e ainda estão me devendo uma despedida de barriga =)

A minha família que teve a paciência de esperar e respeitar o que eles chamaram de loucura. Eu chamo de amor.

E por último porém o mais importante: A Deus. Que mais uma vez mostrou o seu grande amor e cuidado por mim e me fez ver, mais uma vez. Que eu posso TODAS as coisas NELE que me fortalece, e que NELE, posso descansar!!! Riu de mim, mas me amou muito mais. À Ele, por Ele, Pra Ele, todas as coisas.

E no dia 10 de janeiro de 2015 às 19:15, nasceu a Sara Limoel Costa Calado, pra preencher a minha vida que eu nem sabia ser vazia antes dela chegar, de amor e luz.

Te amo minha filha e você não será filha única!!! 

Link para o programa Boas vindas : https://vimeo.com/149863283